A Amazon anunciou nesta semana um novo aumento em seus planos de investimento para 2026: a empresa agora projeta gastar cerca de US$ 220 bilhões em infraestrutura neste ano, alta em relação à estimativa anterior de US$ 200 bilhões. O motivo, segundo o próprio CEO da companhia, é o encarecimento dos componentes de memória usados para construir data centers voltados à inteligência artificial.
O crescimento por trás do investimento
O anúncio veio junto com o balanço do segundo trimestre da empresa, que trouxe números fortes: a receita da AWS, braço de nuvem da Amazon, cresceu 37% em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando US$ 42,2 bilhões — a maior expansão trimestral do serviço desde 2021 e bem acima da previsão de analistas, que esperavam algo próximo de 31%. A carteira de contratos já fechados com clientes da AWS somava US$ 496 bilhões, um salto de US$ 132 bilhões em um único trimestre.
Nem com tudo isso a capacidade é suficiente
Segundo Andy Jassy, CEO da Amazon, mesmo com o novo patamar de investimento, a empresa não deve conseguir atender toda a demanda por capacidade de nuvem e IA neste ano — e a expectativa é que esse mesmo cenário se repita em 2027. Jassy chegou a classificar a demanda já visível para 2028 como "impressionante", reforçando que o gargalo de capacidade não é um problema pontual, e sim estrutural, à medida que empresas ainda estão em estágio inicial de uso de IA em escala dentro de suas operações do dia a dia.
O motivo do aumento: memória, não apenas chips gráficos
Diferente do que se poderia esperar — já que boa parte da atenção do mercado costuma girar em torno de GPUs para treinar modelos de IA —, o próprio Jassy reconheceu que hoje há preços inflacionados em componentes como memória, discos rígidos e SSDs, afetando praticamente todas as empresas que constroem infraestrutura de data center no mundo atual. Isso reforça um padrão que já vinha aparecendo em outras áreas da indústria de tecnologia nos últimos meses: a memória, e não apenas o poder de processamento gráfico, se tornou um dos maiores gargalos da expansão de infraestrutura de inteligência artificial.
Um investimento que só se paga no longo prazo
Jassy também explicou ao mercado a lógica financeira por trás desses gastos bilionários: o capital de um data center começa a ser investido cerca de dois anos antes de os servidores entrarem de fato em operação, mas depois de prontos, esses ativos costumam gerar receita significativa por mais de 30 anos. Segundo ele, o momento atual da IA lembra os primeiros anos da computação em nuvem, quando gastos pesados de capital vieram antes de qualquer retorno financeiro relevante — um ciclo que, segundo o executivo, tende a se inverter conforme os data centers amadurecem e o crescimento de receita passa a superar o crescimento dos investimentos.
Por que isso importa
O caso da Amazon ilustra um dilema que vem se repetindo entre as maiores empresas de tecnologia do mundo: mesmo com bilhões de dólares direcionados à expansão de infraestrutura de IA, a demanda por essa capacidade continua crescendo mais rápido do que a indústria consegue construir — em boa parte por causa do encarecimento de componentes essenciais, como a própria memória. Para o mercado, o recado de Jassy é que essa corrida por capacidade ainda está longe do fim, e deve continuar moldando o ritmo (e o custo) da expansão da inteligência artificial nos próximos anos.
Fonte: CNBC - "Amazon hikes 2026 capex to $220 billion due to higher memory costs", publicado em 30 de julho de 2026.